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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Falta de banheiros públicos prejudicam frequentadores do Largo da Ordem

Foto: Evellyn Heloise - Frequentadores da Feira do Largo, Curitiba -Pr
Um dos locais mais tradicionais para se passar as manhãs de domingo, a Feira de Arte e Artesanato do Largo da Ordem, popularmente conhecida como Feirinha do Largo, é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. Por edição da feira, circulam por lá cerca de duas mil pessoas. Porém, um dos maiores problemas do local, motivo de reclamações dos turistas, é que não existem banheiros públicos na feira, apenas em restaurantes e lojas da região.

Fernanda Mello visita a feira quase todos os finais de semana com o filho de quatro anos. Ela diz que a única saídas é entrar em restaurantes e pedir para utilizar o banheiro. “Eu até consigo me conter com relação a isso, porém meu filho é pequeno e não entende que precisa 'se segurar' pois não tem um banheiro disponível. Geralmente entro nos restaurantes e explico a situação, mas nem sempre eu consigo um lugar, alguns pedem para que se consuma e então poder utilizar o sanitário. É um déficit da feira”, diz a mãe.

Em 2012, uma discussão na Câmara Municipal de Curitiba previa a implantação de banheiros públicos no Largo da Ordem, mas o projeto foi arquivado.

Um problema, várias consequências

A falta de banheiros públicos não é apenas um problema para quem frequenta a Feirinha do Largo da Ordem. Durante a noite, apesar dos bares da região conter banheiros, muitas pessoas abusam do álcool e até mesmo os moradores de rua, acabam urinando nas fachadas dos prédios e casas do local, ocasionando mau cheiro e sujeira nos locais.

Felipe Marcondes frequenta os bares da região durante a noite e reclama desta situação. “Realmente o cheiro é muito forte, principalmente nessa região próxima à passagem subterrânea do Largo. As pessoas não respeitam mais os patrimônios públicos, abusam do álcool e fazem besteira. A Prefeitura de Curitiba deveria criar uma campanha de conscientização para evitar esse tipo de situação, pois não queremos que os turistas fiquem com a marca de que o centro de Curitiba é sujo.”

Por Evellyn Heloise 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Abordagem de pedintes é intensa no Largo da Ordem


Foto: Andreza Rossini

           Eles são muitos, cada um tem seu jeito, mas todos param de mesa em mesa pedir uma  moeda, um cigarro ou algo para comer. As abordagens dos pedintes acontecem cerca de quatro vezes a cada hora para quem está parado no Largo da Ordem, de acordo com um experimento feito pela equipe de reportagem.
          Oito dos dez comerciantes entrevistados apontam a situação como o maior problema do local. Segundo o historiador e sacerdote da Igreja da Ordem, Alcides Andrade, os mendigos que ficam na região trazem insegurança e afastam os visitantes. “Nós recebemos pessoas de todos os cantos do mundo, todos os dias, mas eu percebo que eles se sentem inibidos com a situação”.
Esmolas 
           A moradora de rua Sara, de 28 anos, explica porque prefere essa região do Centro Histórico. “Aqui é um lugar onde só não ganha dinheiro quem não quer. Dá para conseguir trabalhando, roubando, traficando ou pedindo. Quando eu estou aqui não passo fome e nem frio”, afirma. Ela ainda conta que não há dificuldade em abordar quem passa pela região: “grande parte das vezes eu ganho alguma coisa. As pessoas doam - principalmente comida, sem reclamar e nem ameaçar ligar para a Guarda Municipal”.
          Segundo a porta voz da Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS), Karla Tavares, não é recomendado ajudar quem está pedindo esmolas: “A ideia do atendimento à população em situação de rua é justamente recuperar os vínculos sociais e familiares, bem como proporcionar meios para o resgate da autonomia do indivíduo. Por isso, toda a prática que fortalece o vínculo da pessoa com a rua é considerada negativa”.
          O sociólogo Thiago Rosa afirma que “pedir esmolas” é sintoma de um problema muito maior. “É interessante lembrar que várias pessoas preferem a mendicância por representar uma fonte de renda maior do que conseguiriam com uma carteira assinada. Tratando-se de uma perspectiva ampla, a mendicância é algo que pode viciar e limitar as possibilidades”, explica.

Por Andreza Rossini
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